domingo, 6 de outubro de 2013
Melhores Locais para comer Hamburguer em Lisboa
http://visao.sapo.pt/os-melhores-locais-para-comer-hamburgueres-em-lisboa=f750497
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
sábado, 17 de agosto de 2013
Maasai Tribe (Cultura, História e Costumes)
An African tribe does the most beautiful thing.
When someone does something hurtful and wrong, they take the person to the center of town, and the entire tribe comes and surrounds him.
For two days they'll tell the man every good thing he has ever done.
The tribe believes that every human being comes into the world as Good, each of us desiring safety, love, peace, happiness.
But sometimes in the pursuit of those things people make mistakes. The community sees misdeeds as a cry for help.
They band together for the sake of their fellow man to hold him up, to reconnect him with his true Nature, to remind him who he really is, until he fully remembers the truth from which he'd temporarily been disconnected:
“I AM GOOD.”
http://www.maasai-association.org/maasai.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Maasai_people
sexta-feira, 26 de julho de 2013
O Americano que doou esperma mais de 500 vezes
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Jeffrey Harrison não se encaixa no perfil de povoador. De cada vez que entrou num dos cubículos de recolha de esperma fê-lo para receber os 25, 35 ou 50 dólares por amostra. Até agora já lhe apareceram 14 filhos
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Esta é uma história sem arrependimentos. Muita coisa correu mal aos protagonistas mas nenhum voltaria atrás para fazer de maneira diferente. Nem mesmo o autor do filme que resume numa hora e picos várias vidas cujos destinos começam por se cruzar em tanques de criopreservação.
A cena favorita do realizador Jerry Rothwell tem um pombo perdido num parque de estacionamento em Venice Beach, mas ele não hesitou ao escolher as primeiras cenas de Donor Unknow, adventures in the sperm trade. Lá estão os cilindros enormes do California Cryobank, em Los Angeles, e o médico Cappy Rothman, fundador do banco de esperma norte-americano, a dizer: "Cada um destes tanques tem milhões e milhões de espermatozoides. Podíamos povoar o mundo inteiro!"
Jeffrey Harrison não se encaixa no perfil de povoador. De cada vez que entrou num dos cubículos de recolha de esperma fê-lo para receber os 25, 35 ou 50 dólares por amostra (os preços iam subindo). No final dos anos 80 fazia-o duas a três vezes por semana - o suficiente para lhe garantir a renda da casa. No total terá doado mais de 500 vezes. "Pensava nas famílias que tentavam ter filhos", garante ao telefone. "Imaginava que um dia ia olhar esses pais nos olhos e dizer-lhes que tinham sido momentos mágicos."
Nu na 'Playgirl'
Quando se tornou um dador regular Jeffrey ainda não fizera 30 anos. Trazia no currículo algum trabalho de modelo nu (chegou às páginas centrais da revista Playgirl), entregava telegramas a fazer strip tease, dançava num grupo do género Chippendales e servia à mesa. No formulário que preencheu no banco de esperma, escreveu: "28 anos, caucasiano, 1,83 m de altura, 80 quilos, olhos azuis, cabelo castanho-claro, última ocupação bailarino." Sabia tocar guitarra, cantava, dava aulas de ginástica e estudara Filosofia.
Indiciava que era bem-parecido, dado às artes e culto. Mas seria a maneira como encarava a vida a torná-lo popular entre quem buscava um dador: "A minha aspiração mais profunda é espiritual. A vida terrena é passageira e as alegrias deste mundo são efémeras. Se formos sinceros teremos sorte."
Chegara ali por acaso depois de ter sido abordado por uma desconhecida num cabeleireiro, em Beverly Hills. A mulher queria ser mãe e procurara em vão, entre os amigos, algum que se dispusesse a ajudá-la no processo. Jeffrey era bonito e simpático. "Porque não?", pensou também ele. Mas foi quando passou por um banco de esperma para fazer o despiste de eventuais doenças que entreviu um futuro como dador.
A mulher que o abordara no cabeleireiro teve dois filhos seus. De cada vez que ovulava, aparecia no restaurante onde ele trabalhava. "Eu ia à casa de banho e voltava com um copinho", conta Jeffrey.
'Olá, sou tua irmã'
A mais de 4 mil quilómetros de Los Angeles, no Estado da Pensilvânia, Lucinda Marsh foi uma das mulheres que ficaram fascinadas com o formulário de Jeffrey. Em 1989, ela e a companheira encomendaram por correspondência uma amostra de esperma.
JoEllen nasceu em 1990. Filha única até aos 6 anos, olhava para o resto da família e sentia-se diferente. "Mexia-me de outra maneira, por exemplo", conta à VISÃO.
A mãe nunca lhe escondeu que tinha existido um dador. Quando quis engravidar novamente, de um outro homem, mostrou-lhe a ficha de inscrição de Jeffrey. A filha leu e releu a descrição do Dador 150. Tinha 7 anos e imaginou de tudo: um artista, um empresário de sucesso. Fantasiou que iria conhecê-lo mas continuou a sua rotina num lar feliz.
A mãe nunca lhe escondeu que tinha existido um dador. Quando quis engravidar novamente, de um outro homem, mostrou-lhe a ficha de inscrição de Jeffrey. A filha leu e releu a descrição do Dador 150. Tinha 7 anos e imaginou de tudo: um artista, um empresário de sucesso. Fantasiou que iria conhecê-lo mas continuou a sua rotina num lar feliz.
Aos 12 anos a mãe contou-lhe que havia um site que ajudava os filhos e os dadores a encontrarem-se, criado por Wendy Kramer e o seu filho, Ryan, que nascera por intermédio de um banco de esperma. JoEllen inscreveu-se em www.donorsiblingregistry.com sonhando que o pai haveria de contactá-la.
Dois anos depois seria contactada, sim, mas por uma meia-irmã, Danielle Pagano, que morava em Nova Iorque e acabara de saber pelos seus pais que era filha do Dador 150. JoEllen tinha 15 anos e Danielle 16 quando se conheceram. "Esquisito" foi a palavra que mais usaram nesse encontro numa estação de comboios, em Nova Iorque. Tinham os mesmos olhos e sobrancelhas, os mesmos tiques, os mesmos gostos. Olhos azuis, sobrancelhas à Brooke Shields, o gesto de pôr o cabelo atrás da orelha, paixão por música e por cães. "Olhávamos para homens na Penn Station e dizíamos: 'Este podia ser o nosso pai... Ou aquele...'", conta JoEllen.
A história seria escrita pela primeira vez em 2005, no New York Times, com destaque na primeira página. Olá, sou tua irmã. O nosso pai é o Dador 150 era o título que reproduzia o primeiro contacto das duas miúdas no site. Jeffrey estava a tomar café em Venice Beach quando leu este título. "Pousei o jornal. Olhei em volta e pensei antes de voltar a pegar-lhe: 'Há muitos bancos de esperma, não deve ser o California Cryobank'." Era.
Ainda são raros os casos de dadores que dão o passo de se apresentarem aos seus "filhos". Os "eventuais problemas" são muitos, nota Jeffrey. "Devia haver um mediador que ajudasse dadores e miúdos a encontrarem-se. Se deixo que me chamem pai fico com responsabilidades só morais ou também legais e financeiras? Num processo de adoção há psicólogos e advogados envolvidos. Aqui não há nada, o risco é imenso."
Um 'vagabundo de praia'
Por esta altura Jeffrey já passara por cenas dignas de um guião de Hollywood. Fora perseguido por um detetive que tinha sido contratado por um casal de celebridades desejoso de saber - ilegalmente - quem era o pai do filho. "Larguei o apartamento onde morava e mudei-me para uma autocaravana para fugir daquela loucura", conta. Mas ao ler que Danielle estava magoada por os pais lhe terem escondido ser filha de um dador Jeffrey sentiu-se impelido a agir. "Em criança mentiram-me e nunca me recompus", justifica. Apresentou-se no site como Dador 150 e foram-lhe aparecendo "filhos".
Em Portugal o mesmo dador só pode dar origem a um máximo de oito gravidezes de termo; Jeffrey ficou a saber que permitiu pelo menos 14. Oito miúdos já se conheceram e mantêm um contacto regular entre eles. Têm todos mais de 18 anos, os mesmos olhos azuis e sobrancelhas grossas. E de vez em quando visitam Jeffrey na autocaravana que ele mantém parada num parque de estacionamento perto de Venice Beach.
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O encontro de JoEllen e Jeffrey foi filmado com pinças por Jerry Rothwell. No documentário vemos a transformação de Jeffrey, de início aparentemente à vontade com o que se vai passar, depois nervosíssimo. Tenta disfarçar o caos na velha autocaravana onde vive com quatro cães, desconfia-se que fuma erva para ganhar coragem. E, no momento da chegada de JoEllen ao parque de estacionamento, é apanhado à procura de um pombo com uma asa partida que recolhera dias antes. "Não passo de um vagabundo de praia, o que vão pensar de mim?"
A coragem de Jeffrey seria recompensada com o passar do tempo. No último ano reencontrou parte da sua própria família ao pôr JoEllen em contacto com uma prima que fez uma árvore genealógica muito completa. Não tem com JoEllen e os seus meios- irmãos uma relação de pai e filhos mas ganhou laços para a vida. "Voltaria a fazer o mesmo", garante.
O documentário
Realizado por Jerry Rothwell, Donor Unknow, adventures in the sperm trade (2010) teve rodução de Hilary Durman que também produziu All About Me, um filme inspirado na história o Dador 150. Depois de o ver Jeffrey Harrison contactou-a, levando-a a avançar com o documentário que pode ser comprado na Amazon (€20, mais portes) ou em vimeo.com/ondemand/donorunknown (€3,80).
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Badalona, primeira cidade espanhola a declarar ilegítima a sua dívida
«Caros Companheiros,
ontem, terça-feira, 25 de Junho, vivemos um momento histórico: a cidade de Badalona, a pedido da moção apresentada em colaboração com o Grupo de Auditoria da Dívida de Badalona, é a primeira em todo o Estado (catalão e espanhol) a declarar ilegítima parte de sua dívida, reconhecendo que foi constituída sem responder aos interesses dos cidadãos. A moção foi apresentada pelo grupo Auditoria Cidadã da Dívida de Badalona em conjunto com ICV-EUiA, e foi apoiado por OIC e PSC, com a abstenção do PP. Especificamente, são declarados ilegítimos os juros dos empréstimos ICO, que o BCE cobra aos bancos a 1% e estes emprestam aos municípios a 5% ou mais para pagar fornecedores. A aprovação desta moção representa uma mudança de paradigma, uma vez que nenhuma administração pública havia declarado antes uma dívida como ilegítima.
O grupo Auditoria Cidadã da Dívida de Badalona interveio ontem na Assembleia Municipal para denunciar a perversão do mecanismo da dívida e identificar o golpe que envolve a dívida ilegítima contraída nas costas dos cidadãos e contra os interesses destes. As instituições financeiras que fizeram empréstimos ao Conselho Municipal de Badalona no âmbito do Plano de Pagamento de “Proveedores” estabeleceram juros de 5,54% em 2012, apesar de terem recebido esse dinheiro com juros inferiores a 1% do Banco Central Europeu (entidade pública). Este empréstimo ICO representa um benefício para as instituições financeiras envolvidas de cerca de 2.098.000 em cada ano. Lembramos que este é dinheiro público que passa para mãos privadas, portanto consideramos e denunciamos que este sistema de financiamento é perverso, injusto e facilita a ditadura financeira e, portanto, exigimos uma Auditoria Cidadã da Dívida para estabelecer que parte é ilegítima e nos recusarmos a pagar. Denunciamos também que a democracia foi sequestrada pelos mercados financeiros, como foi evidenciado com a reforma do artigo 135 da Constituição, realizada em tempo recorde em Agosto de 2011 pelo PSOE e o PP, que estabeleceram a obrigação de pagar dívida acima de qualquer outra intervenção ou gasto social.
O comunicado de imprensa que redigimos:http://auditoriabdn.wordpress.com/2013/06/26/badalona-declara-il% C2% B7legitim-part-of-Seu-deutério
A moção apresentada e aprovada pelo Conselho da Cidade:http://auditoriabdn.wordpress.com/2013/06/26/text-de-la-mocio-que-declara-il%C2%B7legitim-part-del-deute-de-lajuntament-de-badalona/
O grupo de intervenção de Auditoria da Dívida na Câmara Municipal:http://auditoriabdn.wordpress.com/2013/06/26/hem-tornat-tal-i-com-vam-prometre/
De seguida, o eco da notícia nos média:
http://www.lavanguardia.com/local/barcelones-nord/20130626/54376993496/badalona-declara-ilegitimos-intereses-plan-proveedores.html
http://www.elperiodico.com/es/noticias/badalona/badalona-considera-ilegitimos-los-intereses-contraidos-por-ayuntamiento-con-entidades-financieras-privadas-2439118
http://www.badanotis.com/noticia.php?n=6763
http://www.elperiodico.com/es/noticias/badalona/badalona-considera-ilegitimos-los-intereses-contraidos-por-ayuntamiento-con-entidades-financieras-privadas-2439118
http://www.badanotis.com/noticia.php?n=6763
*SEGURANÇA SOCIAL*
*É PARA LER TUDINHO E REENVIAR SEM FALTA.* *TODA A GENTE** **TEM** **DE SABER DISTO. ** *
*VAMOS ACABAR COM ESTA GENTE ***
*DE UMA VEZ! **CHEGA!* ****
*PARA AJUDAR A ESCLARECER:*
*VAMOS ACABAR COM ESTA GENTE ***
*DE UMA VEZ! **CHEGA!* ****
*PARA AJUDAR A ESCLARECER:*
1. Até 1974 NÃO EXISTIA a SEGURANÇA SOCIAL mas a PREVIDÊNCIA SOCIAL;
2. Fiz parte da 1ª e 2ª Comissões que em 1976/77 preparou a Reforma da Previdência criando a Segurança Social, o Centro Nacional de Pensões, os Centros Regionais das Segurança Social integrando-se nesses as caixas de Previdência;
3. A 2ª Comissão integrou, além de mim próprio, Maria de Belém Roseira, Leonor Guimarães, Fernando Maia e Madalena Martins;
4. NÃO HOUVE qualquer nacionalização e as próprias Casas do Povo e o regime•> dos rurais só em 1980 foram integrados na Segurança Social;
5. O ESTADO não tinha que meter dinheiro na Segurança Social pois o seu funcionamento foi e é assegurado pelas contribuições das entidades empregadoras e trabalhadores;
6. Outra coisa tem a ver com a CAIXA GERAL DE APOSENTAÇÕES pois a mesma foi financiada exclusivamente pelas contribuições dos agentes do Estado a quem os funcionários confiaram mês a mês os seus descontos igualzinho aquilo que acontece com a conta poupança que vai capitalizando ao longo do seu período de vigência; NÃO FIQUEM CALADOS. DIVULGUEM ****
*Muito gostava de saber o que é que o governo e a Oposição têm a dizer sobre o que consta abaixo e sobre a real situação financeira da Segurança Social, se é que se atrevem…* Convém ler e reler para ficar a saber, pois isto é uma coisa que interessa a todos. Vale a pena ler, isto a ser verdade (parece que sim) agora sabemos porque não chega para todos.
*A INSUSTENTABILIDADE DA SEGURANÇA SOCIAL* A Segurança Social nasceu da Fusão (Nacionalização) de praticamente todas as Caixas de Previdência existentes, feita pelos Governos Comunistas e Socialistas, depois do 25 de Abril de 1974. As Contribuições que entravam nessas Caixas eram das Empresas Privadas (23,75%) e dos seus Empregados (11%). O Estado nunca lá pôs 1 centavo. Nacionalizando aquilo que aos Privados pertencia, o Estado apropriou-se do que não era seu. Com o muito, mas muito dinheiro que lá existia, o Estado passou a ser “mãos largas”! Começou por atribuir Pensões a todos os Não Contributivos (Domésticas, Agrícolas e Pescadores). Ao longo do tempo foi distribuindo Subsídios para tudo e para todos. Como se tal não bastasse, o 1º Governo de Guterres (1995/99) criou ainda outro subsídio (Rendimento Mínimo Garantido) em 1997, hoje chamado RSI.
E tudo isto, apenas e só, à custa dos Fundos existentes nas ex-Caixas de Previdência dos Privados. Os Governos não criaram Rubricas específicas nos Orçamentos de Estado, para contemplar estas necessidades. Optaram isso sim, pelo “assalto” àqueles Fundos. Cabe aqui recordar que os Governos do Prof. Salazar, também a esses Fundos várias vezes recorreram. Só que de outra forma: pedia emprestado e sempre pagou. É a diferença entre o ditador e os democratas? Em 1996/97 o 1º Governo Guterres nomeou uma Comissão, com vários especialistas, entre os quais os Profs. Correia de Campos e Boaventura de Sousa Santos, que em 1998, publicam o “Livro Branco da Segurança Social”. Uma das conclusões, que para este efeito importa salientar, diz respeito ao Montante que o Estado já devia à Segurança Social, ex-Caixas de Previdência, dos Privados, pelos “saques” que foi fazendo desde 1975. Pois, esse montante apurado até 31 de Dezembro de 1996 era já de 7.300 Milhões de Contos, na moeda de hoje, cerca de *36.500 Milhões* ?.
De 1996 até hoje, os Governos continuaram a “sacar” e a dar benesses, a quem nunca para lá tinha contribuído, e tudo à custa dos Privados. Faltará criar agora outra Comissão para elaborar o “Livro NEGRO da Segurança Social”, para, de entre outras rubricas, se apurar também o montante actualizado, depois dos “saques” que continuaram de 1997 até hoje. Mais, desde 2005 o próprio Estado admite Funcionários que descontam 11% para a Segurança Social e não para a CGA e ADSE. Então e o Estado desconta, como qualquer Empresa Privada 23,75% para a SS? Claro que não!… Outra questão se pode colocar ainda. Se desde 2005, os Funcionários que o Estado admite, descontam para a Segurança Social, como e até quando irá sobreviver a CGA e a ADSE? Há poucos meses, um conhecido Economista, estimou que tal valor, incluindo juros nunca pagos pelo Estado, rondaria os 70.000 Milhões?!
Ou seja, pouco menos, do que o Empréstimo da Troika!… Ainda há dias falando com um Advogado amigo, em Lisboa, ele me dizia que isto vai parar ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Há já um grupo de Juristas a movimentar-se nesse sentido. A síntese que fiz, é para que os mais Jovens, que estão já a ser os mais penalizados com o desemprego, fiquem a saber o que se fez e faz também dos seus descontos e o quanto irão ser também prejudicados, quando chegar a altura de se reformarem!… Falta falar da CGA dos funcionários públicos, assaltada por políticos sem escrúpulos que dela mamam reformas chorudas sem terem descontado e sem que o estado tenha reposto os fundos do saque dos últimos 20 anos. Quem pretender fazer um estudo mais técnico e completo, poderá recorrer ao Google e ao INE. SEM COMENTÁRIOS…mas com muita revolta….
Sabem que, na bancarrota do final do Século XIX que se seguiu ao ultimato Inglês de 1890, foram tomadas algumas medidas de redução das despesas que ainda não vi, nesta conjuntura, e que passo a citar: A Casa Real reduziu as suas despesas em 20%; não vi a Presidência da República fazer algo de semelhante. Os Deputados ficaram sem vencimentos e tinham apenas direito a utilizar gratuitamente os transportes públicos do Estado (na época comboios e navios); também não vi ainda nada de semelhante na actual conjuntura nem nas anteriores do Século XX. SEM COMENTÁRIOS. Aqui vai a razão pela qual os países do norte da Europa estão a ficar cansados de subsidiar os países do Sul. Governo Português:
3 Governos (continente e ilhas)
333 deputados (continente e ilhas)
308 câmaras
4259 freguesias
1770 vereadores
30.000 carros
40.000(?) Fundações, Observatórios e Associações
333 deputados (continente e ilhas)
308 câmaras
4259 freguesias
1770 vereadores
30.000 carros
40.000(?) Fundações, Observatórios e Associações
500 Assessores em Belém
1284 Serviços e institutos públicos Para a Assembleia da República Portuguesa ter um número de deputados “per capita” equivalentes à Alemanha, teria de reduzir o seu número em mais de 50% O POVO PORTUGUÊS NÃO TEM CAPACIDADE PARA CRIAR RIQUEZA SUFICIENTE, PARA ALIMENTAR ESTA CORJA DE GATUNOS! É POR ESTAS E POR OUTRAS QUE PORTUGAL É O PAÍS DA EUROPA EM QUE SIMULTANEAMENTE SE VERIFICAM OS SALÁRIOS MAIS ALTOS A NÍVEL DE GESTORES/ADMINISTRADORES E O SALÁRIO MÍNIMO MAIS BAIXO PARA OS HABITUAIS ESCRAVIZADOS. ISTO É ABOMINÁVEL! ACORDA, POVO! ESTAS, SIM, É QUE SÃO AS GORDURAS QUE TÊM DE SER ELIMINADAS. Faz o que te compete: divulga e não te esqueças, a seguir vão-te aos depósitos e às tuas poupanças, entendes?****
Fundação Social Democrata recebeu apoio de 1,1 milhões
A Fundação Social Democrata (FSD) recebeu, pelo menos 1,1 milhões de euros de apoio no âmbito do programa de Desenvolvimento Rural, depois de ter apresentado um projeto no final de 2009, princípio de 2010, com uma despesa elegível no montante de 1,6 milhões de euros, avança hoje o DN da Madeira.
De acordo com este jornal, a FSD viu o projecto aprovado e, desde então, tem vindo a receber o financiamento previsto. Em 2011, aquando do inquérito aos institutos, fundações e entidades públicas empresariais, Alberto João Jardim, presidente do Conselho de Administração com funções não executivas, disse estar "à vontade" porque a FSD nunca havido recebido "um tostão" do Estado ou da Região Autónoma.
Segundo o DN madeirense, a FSD recebeu, pelo menos 1,1 milhões de euros de apoio, montante que resulta das listagens publicadas pelo Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, I. P. (IFAP), com os nomes das entidades beneficiárias de "subsídios, subvenções, bonificações, ajudas e incentivos, atribuídos a pessoas singulares ou colectivas exteriores ao Sector Público Administrativo", atribuídos no âmbito da actividade do referido Instituto.
O projecto da FSD foi para desenvolver a Herdade da Achada Grande, hoje chamada de Herdade do Chão da Lagoa. O local onde o PSD realiza a sua festa anual do partido, este ano o encontro realiza-se no próximo domingo.
A candidatura aconteceu no âmbito da medida 1.6 do referido programa que "tem como objectivos o fomento da sustentabilidade e produtividade da exploração florestal na RAM, através do apoio à reconversão de povoamentos mal adaptados, beneficiação de superfícies florestais e produção de materiais de reprodução de qualidade. São beneficiários todos os proprietários florestais, independentemente da sua natureza jurídica, que detenham uma área contínua de pelo menos 0,5 hectares."
sexta-feira, 5 de julho de 2013
segunda-feira, 1 de julho de 2013
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Vereador britânico garante que é pai de um extraterrestre
Ler mais: http://visao.sapo.pt/vereador-britanico-garante-que-e-pai-de-um-extraterrestre=f737356#ixzz2XM08CePH
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http://www.youtube.com/watch?v=QzQTqGOlcWc&feature=share&list=PL3EE571D8C07D0CDA
O político trabalhista, de 53 anos, alega que a sua primeira experiência sexual foi com um extraterrestre, quando tinha cinco anos, que é frequentemente visitado por seres de outros planetas e que até tem um filho que só é meio humano
9:48 Quarta feira, 26 de Junho de 2013 |
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Simon Parkes, vereador em Whitby, North Yorkshire, têm dado várias entrevistas depois de ter revelado, num novo documentário, uma faceta da sua vida pouco comum. O político assegura que tem um filho extraterrestre, que chama Zarca, fruto da sua relação com um extraterrestre a quem chama Cat Queen.
O trabalhista adianta ainda que é visitado por extraterrestres desde quando ainda estava na barriga da mãe.
Parkes descreve também que perdeu a virgindade com um desses visitantes, em 1965, no que descreve como uma "experiência sexual holográfica".
Ler mais: http://visao.sapo.pt/vereador-britanico-garante-que-e-pai-de-um-extraterrestre=f737356#ixzz2XM0HBI9n
http://www.youtube.com/watch?v=QzQTqGOlcWc&feature=share&list=PL3EE571D8C07D0CDA
terça-feira, 25 de junho de 2013
terça-feira, 11 de junho de 2013
sexta-feira, 7 de junho de 2013
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Operação Produção - Moçambique 1983
http://www.mozambiquehistory.net/op_producao.html
Operação Produção, May 1983-May 1988
Dossier MZ-0109
Operação Produção was a programme introduced by the Mozambican government in mid-1983, after the IV Congress of the Frelimo Party, to relocate unemployed people from the major cities to rural areas where they would grow food. The programme did not emerge suddenly or without warning, but was rather the logical culmination of several identifiable social and political trends. These included Frelimo’s strong strain of anti-urban Puritanism: towns and cities were seen as corrupt and corrupting, and people were being expelled as early as 1975. In addition, there was a willingness to use social engineering to achieve political ends, which also manifested itself in projects such as the aldeias comunaisor communal villages.
The uncontrolled and as it turned out uncontrollable influx of rural people to urban centres in search of employment and better living conditions was a major problem for the Frelimo government. It increased the unemployed population in the cities and towns, putting additional strain on health and education services. It probably reduced the capacity of the countryside to produce food. It was also widely believed that marginais or improdutivos, as the unemployed were called, would almost inevitably turn to crime or prostitution to survive, and was thus seen as contributing to social instability.
In 1982, a residency card was introduced alongside the regular ID card, to show that an individual had the right to live in the city. By the time the Operação Produção proper was launched, individuals needed an ID card, a residency card, and a work card or cartão de trabalho to justify their presence in the city.
Operação Produção was launched after Samora Machel’s important speech at acomício in Maputo in May 1983, in which he promised that peoples’ militias, vigilante groups, the Grupos Dinamizadores, the police, and the army would ‘comb’ the city for those who were not employed. In mid-June 1983 a joint ministerial directive was issued [see below for the text], which laid down the basic procedures and ground-rules for what amounted to a mass evacuation of the unemployed.

An unemployed or undocumented person arrested in the street and escorted by police and a curious crowd, August 1983
The first, voluntary phase was followed by a compulsory phase in which house-to-house searches were in fact carried out, and people who could not produce the necessary documents were arrested and sent away. At around this time, in July 1983, Operação Produção was launched in Beira, the country’s second city. Some foreigners whose status was doubtful were netted in this manner, and at least one university professor was sent to Niassa to teach in a primary school. Newspaper stories of the period include reports of some of the almost inevitable abuses, including rape and various kinds of corruption, together with reassurances that these would quickly be corrected. The process was intended to be permanent, but within a year the Catholic bishops had also denounced it. The programme was finally and formally wound up in May 1988, when evacuees were given permission to make their own way back to the towns.
Looking back, Frelimo’s attitude has remained ambiguous. In 2004 the then president Joaquim Chissano was quoted as defending the programme:
Era um bom programa que visava recuperar delinquentes e marginais. Hoje ridicularizam-nos, dizem que era um programa criminoso, enquanto estava cheio de humanismo [It was a good programme aimed at rehabilitating delinquents and marginal people. Today they make fun of us, they say it was a criminal programme, but it was full of humanism. Quoted from the newspaper Savana, 19 November 2004].
Three years later, in mid-2007, the writer and former Frelimo deputy Lina Magaia also took a hard line, unapologetically stating that she would re-introduce the programme at the drop of a hat as a measure against criminality:
… hoje mesmo, se alguém me perguntasse o que faria na cidade de Maputo, eu diria que faço uma operação produção. Tirar todos os que estão sem produzir nada para os fazer produzir no campo. Porque tu tens excesso de gente na cidade de Maputo sem fazer nada; porque a criminalidade começa desde pequeno a subir … A democracia, para mim, não é fazermos isto que estamos a fazer agora; não é anarquia. [Interview in O País [Maputo], 3 August 2007, original clipping available on the Diário de um Sociólogo blog here.]
Outside of Frelimo circles, the programme is now widely viewed with concern as having involved multiple human rights abuses and having failed to achieve its objectives of reducing urban problems and increasing food production in rural areas.
Some academic attention is beginning to be paid to this historical episode. See Carlos Domingos Quembo, ‘O poder do poder: Operação Produção (1983) e a produção dos «improdutivos» urbanos no Moçambique pós-colonial,’ Cadernos de História de Moçambique vol.1 (2012), pages 65-81, available here. See also a long interview [in Portuguese] with the anthropologist and historian Omar Ribeiro Thomaz from the Universidade Estadual de Campinas in Brazil is available here. In the interview Thomaz discusses his field research on earlier manifestations of the impulse to ‘clean up’ the cities, such as «Operação Limpeza» (launched on 12 November 1974). He claims that Operação Produção affected between 50,000 and 100,000 people in Maputo alone.
On the left: top, the cover of the booklet containing the text of President Samora Machel's speech to the comício in Maputo on 21 May 1983; bottom, Armando Guebuza, then Minister of the Interior, addressing a meeting ca. August 1983
| Omar Ribeiro Thomaz | |
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| Em um processo difícil, de guerras entre brancos e negros, nativos e colonizadores, Moçambique conseguiu sua independência em 1975, mas o período de transição foi marcado pela instituição de medidas impopulares que deixaram cicatrizes em boa parte da população. | |
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| Por Simone Pallone | |
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| 10/04/2008
O historiador e antropólogo Omar Ribeiro Thomaz, da Universidade Estadual de Campinas, voltou recentemente de uma de suas viagens a Inhambane, uma província de Moçambique, onde tem acompanhado um grupo de pessoas que foram levadas pelaFrelimo – Frente de Libertação de Moçambique, na década de 1980 - para trabalhar em campos que abrigavam pessoas tidas como desocupadas, inúteis, indesejadas, pelo governo e que, então, deveriam ser reeducadas, a partir do trabalho braçal no campo. Esse projeto, denominado Operação Produção, foi uma das medidas adotadas. Nesta entrevista, Thomaz dá uma idéia do contexto histórico em que essas ações acontecem e fala um pouco sobre o destino das pessoas que passaram ela Operação Produção.
ComCiência - Em seu trabalho o senhor trata dos deportados no período pós-colonial em Moçambique, pessoas que eram levadas dos centros urbanos para os campos de reeducação criados logo após a independência. O que o senhor tem descoberto pelas narrativas dessas pessoas? A atuação da Frelimo marca realmente uma ruptura entre o período colonial e o pós-colonial?
Omar Ribeiro Thomaz – A primeira coisa a dizer é que trabalho com a idéia de deportado, mas as pessoas que passaram por essa experiência se dizem raptadas. Em alguns contextos elas de fato foram seqüestradas pela Frelimo ou pela Renamo(Resistência Nacional Moçambicana) durante a guerra civil. Eu uso o termo deportação, que não é o termo que o Estado da Frelimo usava, para me referir às pessoas que eram enviadas para os campos, fossem os de reeducação ou os de trabalho. E uso o termo raptados para aqueles que foram seqüestrados durante a guerra civil, por parte da Renamo, que era o movimento que se opunha ao governo da Frelimo, e que compunha a maior parte de seu exército com jovens que pegavam nas ruas, sem consultar os pais e sem nenhum processo formal. Isso era um rapto, um seqüestro. As pessoas que eu entrevistei diziam: “fomos raptadas”. Elas faziam uso do mesmo termo que se usa para falar das pessoas que foram raptadas efetivamente pelos exércitos, quer da Renamo, quer da Frelimo, que muitas vezes usava do mesmo expediente.
ComCiência – Em que contexto surgiram os campos de reeducação?
Thomaz – O contexto é o da guerra de independência de 1964 a 1974. Em abril de 1974, a Revolução dos Cravos em Portugal acabou ditando uma certa disponibilidade dos portugueses para negociar com a Frelimo que, na prática, tinha também uma vitória militar, pois os movimentos de libertação africanos estavam ganhando as guerras em Moçambique, Guiné Bissau e Angola. A Frelimo já sinalizava a formação de um regime de natureza revolucionária, marxista-leninista, e mesmo sem clareza do que estava por vir, a maioria da população branca, criada na sociedade colonial fascista portuguesa – cerca de 200 mil pessoas, que moravam em Moçambique – não se mostrava disposta a viver uma revolução ou sob um regime de maioria negra, onde não pudessem manter privilégios. Nesse período, de muitos conflitos entre brancos e negros nas cidades, boa parte dessa população branca abandona o país rumo a Portugal. Alguns permaneceram, mas procuraram sabotar iniciativas do regime que se instalava. Outros eram apenas suspeitos de sabotagem. A esses, sendo portugueses, era aplicada uma punição: tinham 24 horas para abandonar o país e podiam levar 20 quilos de bagagem. Essa medida ficou conhecida como o 20-24 e aconteceu com uma certa freqüência nos anos posteriores aos acordos entre a Frelimo e Portugal e após a independência, em junho de 1975. Logo após o estabelecimento dos acordos entre Portugal e a Frelimo – em 7 de setembro de 1974 – ocorreu o início de uma série de expedientes de ordem administrativa que vão dar origem ao que posteriormente vão se chamar de campos.
ComCiência - Que expedientes foram esses?
Thomaz – A primeira coisa foi eliminar o habeas corpus. Foi criado um regime de exceção, conferindo à Frelimo ou a órgãos ligados ao regime, poderes extraordinários no tratamento de pessoas acusadas de sabotadoras, ou que teriam um comportamento moral inadequado – mulheres suspeitas de prostituição, indivíduos alcoólatras, pessoas consideradas vadias ou ligadas ao tráfico. Essas pessoas foram enviadas para o que foi chamado de campos de reeducação, pois deveriam ser re-socializadas pelo trabalho. Deveriam trabalhar na roça, que se chamam machambas e, nesse processo, deveriam aprender os princípios do marxismo-leninismo e os da construção do homem novo. Para esses campos eram levadas também pessoas consideradas suspeitas ou que teriam conexão com o antigo regime colonial, colaboradores da polícia política portuguesa, ou régulos, que eram as autoridades tradicionais atreladas ao funcionamento do Estado colonial. Também eram levados indivíduos acusados de curandeirismo e feitiçaria e os Testemunhas de Jeová. Isso porque o novo regime pretendia superar não apenas o colonialismo, mas também o obscurantismo e o tribalismo. Portanto os régulos, os curandeiros e os feiticeiros seriam representantes do obscurantismo e do tribalismo que segundo uma análise das elites da Frelimo teriam promovido, em conjunto com os portugueses, o sistema colonial fascista que tinha perdurado em Moçambique por tanto tempo.
ComCiência – A esse processo deu-se o nome de Operação Limpeza?
Thomaz - A Operação Limpeza foi implantada ainda em 1974. Já existiam os acordos entre o Estado português e a Frelimo, mas pouca clareza sobre o futuro do país, e muitos rumores. A população branca estava muito assustada, inclusive porque ocorreram dois dias de enfrentamento violento entre brancos e negros, em Lourenço Marques, atual Maputo, nos dias 7 de setembro e 21 de outubro. Foram dias muito difíceis. No 7 de setembro há um levante branco. A população branca se organiza e dá um golpe de Estado, tentando promover uma independência branca em Moçambique. Ela fracassa, mas nesse enfrentamento ocorreram muitas mortes, sobretudo de negros, porque as milícias brancas saíam matando nas ruas. E no dia 21 de outubro, em um enfrentamento no centro da cidade, militares portugueses matam um adolescente e provocam um outro levante da população branca com a morte de negros, mas dessa vez de brancos também. Esse processo fez com que aqueles que estavam dispostos a permanecer, resolvam sair do país com medo.
Nesse processo a Frente estabeleceu novas medidas, em acordo com as tropas portuguesas, a começar pela eliminação do habeas corpus. Iniciou-se então o que eles chamam de Operação Limpeza no centro da cidade de Lourenço Marques (atual Maputo). Isso ocorreu porque havia uma percepção, por parte de Samora Machel
ComCiência - E quantos eram esses campos de reeducação?
Thomaz - Não se sabe ao certo o número desses campos, mas tenho algumas estimativas a partir da documentação encontrada em arquivos do Departamento do Estado Americano. Calculo que, no final da década de 70, havia entre 20 mil pessoas – sem contar os 10 mil Testemunhas de Jeová – que foram enviados para a reeducação. A Operação Produção afetou entre 50 e 100 mil pessoas só na cidade de Maputo. Em Inhambane e na cidade da Beira, a Operação Produção foi marcante também. Um grande número de pessoas foi levado da cidade para os campos, sem nenhuma notificação prévia, julgamento, ou apresentação de provas. A maioria dos campos se concentrava na região do Niassa
ComCiência - Mas havia outro tipo de campo também, para prisioneiros políticos.
Thomaz - Sim. Outras pessoas foram enviadas a campos de prisioneiros políticos; aqueles indivíduos, claramente inimigos do regime, que no período em que já se sinalizava a independência cometeram o grande equívoco de se aliar aos portugueses. Há uma série de lideranças africanas que vão se destacar tentando construir uma opção à Frelimo, e que serão classificados como inimigos, tais como Joana Simão e Uria Simango, entre outros. Eles foram enviados para um campo de prisioneiros no Niassa, ao Norte de Moçambique e ali morreram.
ComCiência - A Operação Produção tinha o objetivo de reeducar os delinqüentes, ociosos, mas tinha também uma função de gerar renda para o país?
Thomaz - A idéia era essa. Existia um expediente punitivo, mas havia uma idéia de fundo de produzir para as pessoas e para o país. No campo que eu trabalhei, por exemplo, eles produziam abóbora, feijão, vários gêneros alimentícios, só que não ganhavam. Era um trabalho escravo, e as pessoas viviam em condições inaceitáveis, muitos não agüentavam. Mas temos que perceber que isso tudo acontecia em meio a um caos que se instaurava no país. O primeiro ponto é a saída dos portugueses que foi bastante complicada porque eles controlavam o aparelho produtivo e burocrático do país. Eles controlavam as escolas e tudo mais. Um exemplo que eu sempre dou é que em 1974 havia 300 maquinistas em Moçambique e desses, somente um era negro. A saída dos profissionais brancos seja médico, burocrata, professor, maquinista, gerou um caos econômico no país, que precisava ser reorganizado.
ComCiência - Sobre o seu trabalho com as famílias seqüestradas pela Operação Produção, como eles têm vivido depois do abandono dos campos?
Thomaz - No caso da região de Inhassune, eles têm as machambas, essas roças, e graças à Dona Ester, uma senhora que tinha muita experiência em comércio, anterior à Operação Produção, eles organizaram um mercado que se tornou um entreposto de produtos onde os camponeses vendem e encontram mercadorias importantes como óleo, sabão, açúcar, sal, e produtos para sua alimentação em geral. É uma vida bastante digna, não é uma vida miserável.
ComCiência – E eles arrendam essas roças?
Thomaz - Até hoje a questão de terras é complicada, porque não existe propriedade privada em Moçambique. As machambas comunais não existem mais, foram abandonadas e essas pessoas que ficaram, fazem uso dessas terras abandonadas, reconstruíram suas vidas em torno disso, mas a terra pertence ao Estado. O que pertence às pessoas são as benfeitorias que forem feitas na terra, o que dá direito ao usufruto dessa terra. Para promover algum tipo de desapropriação de terras seria preciso contar com um mínimo de cumplicidade, de legitimidade por parte de algum setor da população. Não é qualquer um que vai tirar a população dali. No período logo após a independência, a Frelimo gozava de imensa legitimidade. Tinha ganhado uma guerra contra uma potência colonial européia, tinha apoio e simpatia da maioria da população moçambicana e do congresso nacional. Hoje em dia, a Frelimo e o governo não contam com o apoio da comunidade internacional, de quem dependem, que são os doadores, que prestam auxílio ao país, e nem têm apoio total da própria população.
ComCiência - Quais são as reivindicações dessas pessoas que foram raptadas, levadas para os campos de produção?
Thomaz - As reivindicações não são claras. De forma geral, querem o reconhecimento do sofrimento pelo qual passaram. Existe a idéia de que “nós sofremos, foi um sofrimento injusto”, ou seja, “fui injustamente acusado de improdutivo, quando eu não era improdutivo, durante anos eu não tive vencimento” – salário – “e agora eu não tenho reconhecimento, nem um pedido de desculpas”. É muito interessante, conversando com eles, percebemos que não queriam dinheiro, uma indenização, a casa de volta. O que eles gostariam é que o atual presidente de Moçambique,
ComCiência – Essas pessoas não falam em voltar para suas casas, para as cidades de onde vieram ou foram tiradas?
Thomaz - Não, eles consideram que houve uma ruptura. Afirmam claramente que há uma vida antes e uma depois da Operação Produção. Mais de uma vez falaram: “eu não recuperei a minha vida e não vou recuperar nunca”.
ComCiência - Eles têm medo de sofrer esse tipo de agressão novamente?
Thomaz - Têm. Isso também repetem com freqüência, que não gostariam que isso ocorresse outra vez. O que indica que acreditam que existe essa possibilidade.
ComCiência – Qual o papel dos intelectuais no processo de libertação de Moçambique e para dar visibilidade aos problemas do país? Essas histórias sobre os seqüestros, por exemplo, chegam ao grande público?
Thomaz – Sim, essas histórias são claras, mas não há uma história oficial do país. A Frelimo se nega a dar qualquer depoimento sobre a morte dos líderes políticos, mas não se tem um silêncio da parte do Estado. Algumas vezes eles fazem referência às lideranças. Mas todo mundo fala, a população comenta o tempo todo. E os intelectuais viveram esse período. No final da década de 80, o editor do principal jornal do país,Notícia, era o Mia Couto. Mas cuidado! Temos que entender que a Frelimo não é um bloco. Dentro do partido havia tendências, oposições, como hoje. Havia pessoas que olhavam a Operação Produção com verdadeiro horror. Há uma concentração de movimentos literários em Moçambique e essa intelectualidade nasce comprometida com a produção do país. Até hoje o compromisso deles – escritores, poetas, professores universitários – com o país é uma coisa extraordinária. Com maior ou menor encanto. Muitos sonharam que a revolução promoveria o fim da pobreza, e isso não aconteceu, o que gerou uma certa amargura. Mas se vê uma ligação muito forte dos intelectuais com toda a história do país.
ComCiência - Você diria que Moçambique é um país democrático?
Thomaz – O país tem uma imprensa livre, muito mais livre que muitos outros países, comparável à África do Sul. Tem uma universidade livre também, onde é possível discutir praticamente todos os problemas com bastante liberdade, tem livre circulação, as pessoas podem sair e voltar. Tem eleições periódicas, que são mais ou menos honestas. O que não significa que não tenha conflitos, que não haja corrupção, crimes políticos. A questão é até onde chegam as instituições. A esmagadora maioria da população está no campo, não tem acesso a benfeitorias como água, luz. Para essas pessoas a palavra democracia não faz o menor sentido.
ComCiência – Essa é uma história da África que deveria constar do ensino que se propõe para o Brasil?
Thomaz - O ensino da história da África é obrigatório hoje no Brasil, em diferentes níveis de ensino o que exige um esforço historiográfico sério, o que implica incorporar o trabalho de autores africanos e africanistas que estão trabalhando seriamente para recuperar uma história recente. Acho que temos que tomar cuidado no sentido de tratar apenas de uma África mitológica. Podemos tratar disso também, e é legítimo que os movimentos negros reivindiquem uma África mitológica. Mas, existe uma lei que tem que ser levada a sério e isso quer dizer não tentar fazer uma história de mocinho e bandido. A história da África é complicada, como de qualquer outro contexto. E não tem umahistória da África, são histórias da África, são histórias nacionais e também regionais. | |
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Alice esperou
Aos 71 anos ficou viúva pelas próprias mãos: agarrou num tubo de ferro e matou José. Foi condenada a 14 anos, cumpriu seis. A história da luta entre a mulher e o corpo que o marido marcou com nódoas negras
Alice deita a cabeça no ombro do inspector. A cara cai-lhe ao comprido dos ossos e, pelo meio de soluços, apenas uma frase: “Não aguentei mais.” O filho vai com a família a caminho de umas férias no Gerês quando o telefone toca para avisar da tragédia. “Uns homens vieram cá a casa e mataram o teu pai”, diz-lhe de rajada uma vizinha da mãe. O filho não pensa e faz inversão de marcha. Estava longe de adivinhar que a tragédia afinal ainda era maior.
Alice tem 32 anos, vive em casa dos pais e quer esquecer o primeiro marido e não voltar a pensar em casamento. Casou aos 18, a acreditar que seria para a vida. Foi um inferno: ele bebia, não trabalhava, jogava à batota pela noite dentro, perdia e ficava sem dinheiro. Nunca lhe bateu mas vendeu-lhe anéis, fios, pulseiras, propriedades. Um dia, aos 25, Alice desistiu: ele foi para casa dos pais dele, ela para casa dos pais dela, cheia de vergonha de regressar, adulta e falhada.
Assim se passaram sete anos, com Alice debaixo das saias dos pais a meter na cabeça que nascera sem sorte e que ali viveria para sempre, sem homem mas sem problemas. Mas uns tios foram insistindo, dizendo aqui e ali como o José era um homem de boas famílias e agora também estava solteiro, depois de um primeiro casamento que falhara mas “não por culpa dele”. Alice nem se lembra de aceitar. Não sorriram, não se amaram. Num dia nem era uma hipótese, no outro o casamento estava consumado. O amor era aquilo ou coisa nenhuma.
Trinta e oito anos de solidão Depois do casamento, bastaram alguns dias para adivinhar o calvário: José era, de facto, de boas famílias – seria difícil encontrar melhores sogros e cunhados –, mas não era um homem bom. “Era traçado, não de beber, que só bebia um copito de vinho à refeição. Era ruim, ruim das entranhas”, conta Alice, com o mindinho torcido sobre os lábios, a retroceder dos 79 para os 32 anos.
Alice e José viviam num anexo da casa da família dele. As tareias e as ofensas eram tão violentas que nunca foram segredo para quem vivia mesmo ali ao lado. O pai tentava impedi-lo, dizendo--lhe que as mulheres são para ser respeitadas e que Alice “era do melhor” que ele podia encontrar. A mãe, descobriu Alice anos mais tarde quando encontrou José a atirá-la para fora de uma bacia, era outra vítima. “Pega-lhe se quiseres, que eu não quero saber dela para nada”, resmungava José, que rejeitava a mãe inválida com a mesma indiferença com que, por nada, rejeitava a mulher. Quando o pai de José morreu, as tareias tornaram-se quase diárias. Num dia José ameaçava atirar a cara de Alice para dentro de uma cisterna de água, noutro atirava-lhe “uma forquilha de enjeitada”, noutro dava-lhe murros na cabeça porque ela gastara 3 euros na compra de um quilo de sardinhas ou tinha dado dinheiro à neta para ir comprar cebolas. Batia-lhe com as mãos, com paus, com as canadianas, com o que tivesse à mão. “Quando não batia passava a vida a judiar--me”, recorda Alice, segurando as palavras com os lábios, fazendo força com os incisivos. José desprezava os pequenos-almoços, atirava louça e comida para fora da mesa ao almoço e ao jantar e enquanto fazia as suas mãos caírem sobre Alice chamava-lhe galdéria, puta, vadia, ordinária.
Ela andava de cara negra, mas escondia, esfregava as feridas com álcool. Um dia, depois de ser operada a uma mão, e antes de se deslocar ao hospital para mudar o penso, nem com álcool resultou: a solução foi encobrir as nódoas negras com pó de arroz. Transformou--se na técnica de camuflagem preferida: Alice tratava da própria caracterização. Acordava religiosamente às quatro da manhã, todos os dias, e ia para o palheiro. Ele ficava na cama, mas às sete não admitia que ela não tivesse limpado o estrume, ordenhado 32 vacas e não viesse já com um pote de leite em cada mão, pronta para tratar do pequeno-almoço e seguir para as oliveiras. Ela não parava e ele trabalhava tão pouco que, naquela aldeia de Matas, 40 habitantes e a 6 quilómetros de Santarém, era conhecido como “o calão que moía a mulher com pancada”.
O crime São seis da manhã do dia 2 de Agosto de 2002, sexta-feira, e, enquanto José sangra no chão da cozinha, Alice grita pelas vizinhas. Conta que apareceram dois homens, de “cara tapada com capacetes” e vestidos com “uma farda castanha”, e que bateram em José até à morte para se vingarem de aventuras amorosas que ele levava em Santarém. Durante o fim-de-semana, em casa do filho, ao lado da nora e da neta, Alice anda nervosa mas mantém a versão dos factos que contou às vizinhas e à polícia. “Não conseguia contar, morria de vergonha”, lembra Alice, com as unhas unidas em cacho, na cozinha de móveis melancólicos da casa do filho, onde agora vive, numa localidade vizinha de Matas.
No dia 6 de Agosto, os inspectores batem à porta de casa e pedem a Alice que conte a verdade. Não precisaram de dizer que tinham encontrado as suas roupas ensanguentadas, com sangue de José. Alice desatou a chorar, deitou a cabeça no ombro do inspector e durante minutos só conseguiu repetir: “Não aguentei mais.” Era a sua confissão. Alice nunca soube distinguir se era homicida ou mártir.
António Teixeira, ex-inspector da PJ, nunca esqueceu a história de Alice. Usa--a até hoje como exemplo de que “homicidas somos todos nós, num momento de desvario e de desespero”, e repete a história com a pena de quem teve de prender alguém que matou mas o fez porque foi vítima. “Porque depois de anos a ser agredida houve um dia que não aguentou mais.” O ex-inspector tentou ajudar Alice. Almoçaram juntos e aconselhou-a a contar toda a história das agressões perante o juiz, naquela tarde, no Tribunal de Santarém. Alice fez tudo ao contrário. Estava tão nervosa que só continuava a repetir: “Perdoe-me, não queria matá-lo, mas não aguentei mais.” Não contou das tareias e das ofensas ao longo de 38 anos, não contou que José ameaçava matá-la se ela fizesse queixa, não contou sequer que nesse dia José agarrou numa faca para lhe cortar o pescoço. Nesse mesmo dia, António Teixeira e outros inspectores levaram Alice para o Estabelecimento Prisional de Tires. Era, na altura, uma das mulheres mais velhas presas no país. Dias depois, a 19 de Agosto, a tia Alice, como ficou conhecida na cadeia, recebe um bolo na prisão, mas não conta a ninguém que faz 72 anos.
A mentira contada após o homicídio e a omissão das agressões no primeiro depoimento no tribunal foram fatais. Foi condenada a 14 anos de prisão. Recorreu e conseguiu dez. Pelo meio recebeu um indulto presidencial de um ano do Presidente Jorge Sampaio. Seis anos de prisão depois, no dia 6 de Agosto de 2008, entrou no carro do filho e não olhou mais para Tires.
Perder ou vencer o combate? Alice tem 71 anos e um imenso cansaço. Na noite de 1 para 2 de Agosto de 2002 nem se lembra de dormir. Não por culpa da noite abafada naquela localidade de Santarém onde o Verão quando chega queima árvores, terra, rugas e o próprio ar. Anda às voltas na cama tão cansada como se ainda andasse de cócoras, no chão, a apanhar os bocados de jantar rejeitados pelo marido. Como sempre, durante 38 anos, é a primeira a levantar-se, ainda de madrugada, e o marido fica na cama. A ronha, nessa manhã, nem durou muito. Não tardou que José, três anos mais novo, se dirigisse à casa de banho e gritasse da sanita: “Ó Maria, anda cá limpar-me o rabo.” Ela, como em tantos outros dias, foi, enrolou o papel higiénico à volta da mão e limpou-lhe o rabo. Preparava-se para fazer o pequeno-almoço quando José se antecipou e disse que tratava de si. “Ainda bem. Assim vou mais depressa para a fazenda cortar os arrebentões das oliveiras”, respondeu Alice, já pronta para sair. José não consentiu aquela resposta. Agarrou numa faca da cozinha e Alice encolheu-se. Depois avançou para ela ameaçando cortar-lhe o pescoço. Alice soube que era ele ou ela. Procura um pau, mas não encontra. Sai do anexo e encontra um tubo – 81,3 centímetros de comprimento, 2,2 centímetros de diâmetro. E o diabo, como ela ainda hoje lhe chama, entra com ela na cozinha. O diabo eram aquelas nódoas negras na pele, o corpo calejado das tareias e das ameaças, os ecos de “limpa-me o rabo”, “vou matar-te”, “sua puta, galdéria, ordinária”. Alice puxa a mão para trás das costas e atinge José na cabeça, deitando-o ao chão. Volta a bater-lhe com o tubo na cabeça e no corpo. Uma, duas, não se lembra quantas vezes. José sangra e morre com uma fractura no crânio. Foi o momento em que a mulher perdeu o combate com uma barra de ferro.
o morto em casa Alice vive num anexo da casa da família do filho e não pára de repetir quanto adora filho, a neta, mas desfaz-se de amores sobretudo pela nora, a mais dura da família. Anda apoiada num pau e faz força numa perna para poder mexer a outra. Os cães seguem-na do laranjal para casa, da casa para o laranjal. A aldeia que a entendeu no momento do crime agora esqueceu-a. Alice, 79 anos, nunca mais recebeu visitas dos antigos vizinhos de Matas desde que saiu da prisão. O filho, que sabe que o pai morreu às mãos da mãe, mas também o conhecia melhor que ninguém, nunca a julgou. Clara, filha do primeiro casamento de José, abriu um processo para pedir uma indemnização a Alice pelos danos causados com a morte do pai. Clara, até aos 11 anos, ia duas vezes por semana a casa do pai; daí até aos 18 ia só aos domingos para pedir a mesada; a partir daí só o viu três ou quatro vezes antes de ele morrer.
No quarto Alice tem duas imagens de Nossa Senhora de Fátima e um postal de Natal que trouxe de Tires. A prisão afinal “não é um sítio tão fechado como pensava”, diz Alice, 79 anos, nenhum traço de infância no rosto. “E até tinha colegas em situações semelhantes”, como a mulher “que cortou o marido às postas”. A antiga casa de Alice já não existe e na nova não há fotografias de José. “Ele quer lá saber de fotografias. Ele é ruim, de ruindade mesmo. Deus nos livre de nos calhar um desses”, remata. Fala no presente como se o passado ainda existisse nele. Alice é viúva mas José ainda mora naquela casa.
Texto de Sílvia Caneco.
Prémio Literário Orlando Gonçalves 2012.
Publicado a 10 de Março de 2011
Alice tem 32 anos, vive em casa dos pais e quer esquecer o primeiro marido e não voltar a pensar em casamento. Casou aos 18, a acreditar que seria para a vida. Foi um inferno: ele bebia, não trabalhava, jogava à batota pela noite dentro, perdia e ficava sem dinheiro. Nunca lhe bateu mas vendeu-lhe anéis, fios, pulseiras, propriedades. Um dia, aos 25, Alice desistiu: ele foi para casa dos pais dele, ela para casa dos pais dela, cheia de vergonha de regressar, adulta e falhada.
Assim se passaram sete anos, com Alice debaixo das saias dos pais a meter na cabeça que nascera sem sorte e que ali viveria para sempre, sem homem mas sem problemas. Mas uns tios foram insistindo, dizendo aqui e ali como o José era um homem de boas famílias e agora também estava solteiro, depois de um primeiro casamento que falhara mas “não por culpa dele”. Alice nem se lembra de aceitar. Não sorriram, não se amaram. Num dia nem era uma hipótese, no outro o casamento estava consumado. O amor era aquilo ou coisa nenhuma.
Trinta e oito anos de solidão Depois do casamento, bastaram alguns dias para adivinhar o calvário: José era, de facto, de boas famílias – seria difícil encontrar melhores sogros e cunhados –, mas não era um homem bom. “Era traçado, não de beber, que só bebia um copito de vinho à refeição. Era ruim, ruim das entranhas”, conta Alice, com o mindinho torcido sobre os lábios, a retroceder dos 79 para os 32 anos.
Alice e José viviam num anexo da casa da família dele. As tareias e as ofensas eram tão violentas que nunca foram segredo para quem vivia mesmo ali ao lado. O pai tentava impedi-lo, dizendo--lhe que as mulheres são para ser respeitadas e que Alice “era do melhor” que ele podia encontrar. A mãe, descobriu Alice anos mais tarde quando encontrou José a atirá-la para fora de uma bacia, era outra vítima. “Pega-lhe se quiseres, que eu não quero saber dela para nada”, resmungava José, que rejeitava a mãe inválida com a mesma indiferença com que, por nada, rejeitava a mulher. Quando o pai de José morreu, as tareias tornaram-se quase diárias. Num dia José ameaçava atirar a cara de Alice para dentro de uma cisterna de água, noutro atirava-lhe “uma forquilha de enjeitada”, noutro dava-lhe murros na cabeça porque ela gastara 3 euros na compra de um quilo de sardinhas ou tinha dado dinheiro à neta para ir comprar cebolas. Batia-lhe com as mãos, com paus, com as canadianas, com o que tivesse à mão. “Quando não batia passava a vida a judiar--me”, recorda Alice, segurando as palavras com os lábios, fazendo força com os incisivos. José desprezava os pequenos-almoços, atirava louça e comida para fora da mesa ao almoço e ao jantar e enquanto fazia as suas mãos caírem sobre Alice chamava-lhe galdéria, puta, vadia, ordinária.
Ela andava de cara negra, mas escondia, esfregava as feridas com álcool. Um dia, depois de ser operada a uma mão, e antes de se deslocar ao hospital para mudar o penso, nem com álcool resultou: a solução foi encobrir as nódoas negras com pó de arroz. Transformou--se na técnica de camuflagem preferida: Alice tratava da própria caracterização. Acordava religiosamente às quatro da manhã, todos os dias, e ia para o palheiro. Ele ficava na cama, mas às sete não admitia que ela não tivesse limpado o estrume, ordenhado 32 vacas e não viesse já com um pote de leite em cada mão, pronta para tratar do pequeno-almoço e seguir para as oliveiras. Ela não parava e ele trabalhava tão pouco que, naquela aldeia de Matas, 40 habitantes e a 6 quilómetros de Santarém, era conhecido como “o calão que moía a mulher com pancada”.
O crime São seis da manhã do dia 2 de Agosto de 2002, sexta-feira, e, enquanto José sangra no chão da cozinha, Alice grita pelas vizinhas. Conta que apareceram dois homens, de “cara tapada com capacetes” e vestidos com “uma farda castanha”, e que bateram em José até à morte para se vingarem de aventuras amorosas que ele levava em Santarém. Durante o fim-de-semana, em casa do filho, ao lado da nora e da neta, Alice anda nervosa mas mantém a versão dos factos que contou às vizinhas e à polícia. “Não conseguia contar, morria de vergonha”, lembra Alice, com as unhas unidas em cacho, na cozinha de móveis melancólicos da casa do filho, onde agora vive, numa localidade vizinha de Matas.
No dia 6 de Agosto, os inspectores batem à porta de casa e pedem a Alice que conte a verdade. Não precisaram de dizer que tinham encontrado as suas roupas ensanguentadas, com sangue de José. Alice desatou a chorar, deitou a cabeça no ombro do inspector e durante minutos só conseguiu repetir: “Não aguentei mais.” Era a sua confissão. Alice nunca soube distinguir se era homicida ou mártir.
António Teixeira, ex-inspector da PJ, nunca esqueceu a história de Alice. Usa--a até hoje como exemplo de que “homicidas somos todos nós, num momento de desvario e de desespero”, e repete a história com a pena de quem teve de prender alguém que matou mas o fez porque foi vítima. “Porque depois de anos a ser agredida houve um dia que não aguentou mais.” O ex-inspector tentou ajudar Alice. Almoçaram juntos e aconselhou-a a contar toda a história das agressões perante o juiz, naquela tarde, no Tribunal de Santarém. Alice fez tudo ao contrário. Estava tão nervosa que só continuava a repetir: “Perdoe-me, não queria matá-lo, mas não aguentei mais.” Não contou das tareias e das ofensas ao longo de 38 anos, não contou que José ameaçava matá-la se ela fizesse queixa, não contou sequer que nesse dia José agarrou numa faca para lhe cortar o pescoço. Nesse mesmo dia, António Teixeira e outros inspectores levaram Alice para o Estabelecimento Prisional de Tires. Era, na altura, uma das mulheres mais velhas presas no país. Dias depois, a 19 de Agosto, a tia Alice, como ficou conhecida na cadeia, recebe um bolo na prisão, mas não conta a ninguém que faz 72 anos.
A mentira contada após o homicídio e a omissão das agressões no primeiro depoimento no tribunal foram fatais. Foi condenada a 14 anos de prisão. Recorreu e conseguiu dez. Pelo meio recebeu um indulto presidencial de um ano do Presidente Jorge Sampaio. Seis anos de prisão depois, no dia 6 de Agosto de 2008, entrou no carro do filho e não olhou mais para Tires.
Perder ou vencer o combate? Alice tem 71 anos e um imenso cansaço. Na noite de 1 para 2 de Agosto de 2002 nem se lembra de dormir. Não por culpa da noite abafada naquela localidade de Santarém onde o Verão quando chega queima árvores, terra, rugas e o próprio ar. Anda às voltas na cama tão cansada como se ainda andasse de cócoras, no chão, a apanhar os bocados de jantar rejeitados pelo marido. Como sempre, durante 38 anos, é a primeira a levantar-se, ainda de madrugada, e o marido fica na cama. A ronha, nessa manhã, nem durou muito. Não tardou que José, três anos mais novo, se dirigisse à casa de banho e gritasse da sanita: “Ó Maria, anda cá limpar-me o rabo.” Ela, como em tantos outros dias, foi, enrolou o papel higiénico à volta da mão e limpou-lhe o rabo. Preparava-se para fazer o pequeno-almoço quando José se antecipou e disse que tratava de si. “Ainda bem. Assim vou mais depressa para a fazenda cortar os arrebentões das oliveiras”, respondeu Alice, já pronta para sair. José não consentiu aquela resposta. Agarrou numa faca da cozinha e Alice encolheu-se. Depois avançou para ela ameaçando cortar-lhe o pescoço. Alice soube que era ele ou ela. Procura um pau, mas não encontra. Sai do anexo e encontra um tubo – 81,3 centímetros de comprimento, 2,2 centímetros de diâmetro. E o diabo, como ela ainda hoje lhe chama, entra com ela na cozinha. O diabo eram aquelas nódoas negras na pele, o corpo calejado das tareias e das ameaças, os ecos de “limpa-me o rabo”, “vou matar-te”, “sua puta, galdéria, ordinária”. Alice puxa a mão para trás das costas e atinge José na cabeça, deitando-o ao chão. Volta a bater-lhe com o tubo na cabeça e no corpo. Uma, duas, não se lembra quantas vezes. José sangra e morre com uma fractura no crânio. Foi o momento em que a mulher perdeu o combate com uma barra de ferro.
o morto em casa Alice vive num anexo da casa da família do filho e não pára de repetir quanto adora filho, a neta, mas desfaz-se de amores sobretudo pela nora, a mais dura da família. Anda apoiada num pau e faz força numa perna para poder mexer a outra. Os cães seguem-na do laranjal para casa, da casa para o laranjal. A aldeia que a entendeu no momento do crime agora esqueceu-a. Alice, 79 anos, nunca mais recebeu visitas dos antigos vizinhos de Matas desde que saiu da prisão. O filho, que sabe que o pai morreu às mãos da mãe, mas também o conhecia melhor que ninguém, nunca a julgou. Clara, filha do primeiro casamento de José, abriu um processo para pedir uma indemnização a Alice pelos danos causados com a morte do pai. Clara, até aos 11 anos, ia duas vezes por semana a casa do pai; daí até aos 18 ia só aos domingos para pedir a mesada; a partir daí só o viu três ou quatro vezes antes de ele morrer.
No quarto Alice tem duas imagens de Nossa Senhora de Fátima e um postal de Natal que trouxe de Tires. A prisão afinal “não é um sítio tão fechado como pensava”, diz Alice, 79 anos, nenhum traço de infância no rosto. “E até tinha colegas em situações semelhantes”, como a mulher “que cortou o marido às postas”. A antiga casa de Alice já não existe e na nova não há fotografias de José. “Ele quer lá saber de fotografias. Ele é ruim, de ruindade mesmo. Deus nos livre de nos calhar um desses”, remata. Fala no presente como se o passado ainda existisse nele. Alice é viúva mas José ainda mora naquela casa.
Texto de Sílvia Caneco.
Prémio Literário Orlando Gonçalves 2012.
Publicado a 10 de Março de 2011
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